Mãe, quando eu crescer quero ser...

Quem nunca repetiu essa frase quando criança não é mesmo? Mas ao longo dos anos paramos também de fazer essa pergunta. Muitas pessoas acabam escolhendo uma profissão por que dá mais grana que outra ou por simplesmente não saber o que fazer. Falta de oportunidade, não ter autoconhecimento, conformismo, podem existir inúmeros motivos. Nesse post, falo um pouco da minha experiência pessoal e de como essa perguntinha um pouco ingênua até, fez tanto sentido agora.










Nos últimos meses tenho refletido bastante. Consequência disso, foi o manifesto que postei dias atrás. Foram palavras simples, mas que significam muito para mim. Tenho me questionado sobre várias coisas entre elas do que eu realmente gosto e de que maneira quero ganhar vida.

Pois bem, puxando pela memória, tive um flashback de quando tinha uns quatro ou cinco anos. Nessa época ainda não sabia ler, mas queria muito, muito mesmo aprender. Entre vários livros que minha avó tinha na estante, esse aqui lembro como se fosse hoje. 
Passava a tarde inteira lendo só as figuras e criando uma história em cima delas. Fazia isso todo santo dia, e foi por isso que essas imagens ficaram tão marcadas em minha memória. Eu achava essas ilustrações tão legais, tão diferentes do que costumava a ver como Turma da Mônica e Disney. E o fato de não conseguir ler, aumentava ainda mais a curiosidade de saber o que essas figuras significavam. Esse exemplar aqui, não é mesmo que minha avó tinha em casa. Passei semanas pesquisando em sebos na internet até encontrar por uma pechincha no Mercado Livre. Imagina só a emoção que senti quando recebi a encomenda em casa... Depois de duas décadas, abrir esse livro e ver exatamente que aquelas imagens estavam ali, me esperando para serem degustadas de novo! Foi incrível rever tudo isso!



Já se passaram mais de vinte anos, e como ainda consigo lembrar de tudo isso? Como pode uma simples ilustração de livro chamar tanta atenção de uma criança a ponto dela lembrar vinte anos depois? E será que a pessoa que fez essas ilustrações (se é que esteja viva) teve noção de que seu trabalho poderia marcar tanto a vida de alguém? Nossa, essa profissão parece ser incrível! Caramba! Que poder invisível é esse, capaz de mexer com nossa imaginação e sentidos. Deve ser muito prazeroso fazer isso. 


Já sei!! Manhê!! Quando eu crescer quero ser ilustradora viu.... Trabalhar movendo a imaginação. Transformar conceitos em desenhos e histórias. Direcionar para cada observador a sua própria experiência. Esse, acabou sendo o lema que uso aqui no Blog, no Facebook e principalmente da minha vida.
O fato é que acabei fazendo essa pergunta a poucos meses atrás. Sim, isso mesmo! Prestes a completar vinte e cinco anos resolvi rebobinar a fita, olhar para o passado, questionar escolhas e pesar o que realmente me faz feliz. E principalmente acreditar que sou capaz de fazer o que amo, que nunca é tarde para recomeçar, que ainda sou jovem e posso recomeçar minha vida profissional.

Existe algo muito especial e sagrado nessa profissão. Algo que não vemos e muito menos tocamos. Acredito que seja esse poder invisível de tocar as pessoas de alguma maneira, e foi exatamente o que esse ilustrador desconhecido fez comigo.

Onde quer que esteja, muito obrigada, quando eu crescer quero ser como você.


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