Ser Artista ou Fã, eis a questão!

Como todo estudante e entusiasta no assunto, tenho a necessidade de refletir sobre meu próprio aprendizado. Quando eu estava desenhando as páginas de Bem Feito!, acabei não registrando o processo de fazer em “tempo real”.  Consegui apenas algumas poucas fotos da minha mesa de trabalho. Mas a partir de agora não vou perder mais essa chance. Então vamos lá!

Essas imagens são dos meus últimos desenhos. Exatamente do período que fechou a primeira parte do meu curso de Character Design, que está sendo incrivelmente maravilhoso! Além de novas formas de se construir a figura humana, estou também me descobrindo como artista. Mesmo estando a mais ou menos sete anos praticando o ato de rabiscar, ainda sinto como se estivesse começando hoje. E essa renovação”, se é que posso chamar assim, foi de poucos meses para cá.

Se você comprou ou leu na web minha HQ Bem Feito!, deve estar estranhando bastante né? Do alto contraste super marcante a essas “fofurices” coloridas tem um abismo enorme, confesso... Mas essas últimas experiências me fizeram perceber o quanto meu estilo pessoal estava enraizado naquilo que costumo consumir como fã de quadrinhos. Para quem trabalha na indústria do entretenimento, mercado publicitário, editorial, saber reproduzir diferentes estilos traz uma grande vantagem. Mas e aquele estilo que o artista emprega em seus próprios projetos? Até agora não havia feito essa reflexão... Se hoje alguém me perguntar, eu diria que a essência do trabalho de criação deve representar em primeiro lugar, a personalidade do próprio artista. 



E foi exatamente isso que não aconteceu comigo, deixei meu "ardor como fã" assumir o controle na hora de criar. Acabei reprimindo esse tempo todo o que acredito ser minha verdadeira essência como artista. E veja só o que aconteceu: quando consegui acessar esse entendimento, não consegui parar mais de ter novas ideias! Só de roteiro para quadrinhos criei três histórias inéditas.  E ainda com frequência surgem personagens avulsos que não estão necessariamente em uma história fechada.




Além de o meu rendimento ter aumentado, sinto uma imensa satisfação no que estou fazendo. Um sentimento que ainda não conhecia em relação ao meu trabalho. E tudo isso tem a ver com estar conectado com aquilo que você realmente é! Então se você está confuso ou em conflito com seu próprio trabalho, pare e pense a respeito. 



O fato é que quando a gente está recém começando, essa síntese toda parece bastante complicada. Pra falar a verdade ninguém tem essa obrigação no início de carreira. Mas fique atento também ao que seu coração manda, senão você corre o risco de cair na vala da frustração!! Homenagear e se inspirar em seus ídolos é perfeitamente normal. E mesmo que você já tenha em mente o que realmente quer criar, referências externas sempre serão necessárias. Parte da minha evolução foi através de muita pesquisa.  Então não se limite apenas ao que você já conhece. A internet está ai para isso, em outro post falei de como o Pinterest é uma ferramenta importantíssima para estudo de artes, fica a dica!

Bem, era isso! Espero que tenham gostado dessa reflexão. Esse post está aberto para comentários e qualquer coisa estou ai para responder!

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